Reconhecimento Mútuo
Ricoeur e Buber falam-nos do reconhecimento ligado ao dialogismo – estar des-dobrado de si mesmo e voltado para o outro – reconhecimento mútuo.
Ricoeur (1990) concebe a identidade pessoal na experienciação da identidade como vivência de si próprio, o que supõe a noção de um sujeito que não se retrai do tempo, mas, antes, a da pessoa que descobre o seu âmago na vivência temporal.
Pensar a identidade de si como ipseidade, em que o outro deixa de ser apenas o que é diferente de nós, para se tornar a pessoa que, através de uma relação dialógica revela igualmente a sua presença.
Esta relação dialógica prende-se, particularmente, com as possibilidades de autoconhecimento, que Buber (1982) designa por reciprocidade da acção interior – capacidade de voltar-se para o outro, focando nele a nossa maior atenção – e, simultaneamente, o poder de captar a essência e singularidade do outro – existindo, desde logo, uma imanência entre as dinâmicas subjectivas e objectivas envolvidas.


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